Uma análise discursiva das tirinhas da Mafalda: subjetividade do sujeito mulher e relações de poder

Ana Michelle de Melo Lima
Dia 25 de abri de 2017 às 25/04/2017 às 14h30min
Banca:
Prof.ª Dra. Maria Eliza Freitas do Nascimento
Profª. Dra. Ady Canário de Souza Estevão (UFERSA)
Prof. Dr. Francisco Vieira da Silva
Prof. Dr. Antonio Genário Pinheiro dos Santos
Resumo:
Esta dissertação insere-se no campo da Análise do Discurso de vertente francesa, e tem como objetivo analisar a construção da subjetividade do sujeito mulher no discurso das tirinhas da Mafalda, destacando os efeitos de sentido, as relações de poder-saber e o resgaste da memória discursiva nessa construção. A pesquisa se ampara nas contribuições de Michel Pêcheux e Michel Foucault, mobilizando categorias como: discurso, sentido, interdiscurso, memória discursiva, condições de produção, formação discursiva, subjetividade, relações de poder-saber, vontade de verdade para discutir os efeitos de sentido no discurso. O trabalho dialoga com a história e os estudos da mídia, tomando como objeto para análise, as tirinhas da Mafalda, uma personagem de seis anos criada na década de sessenta, pelo desenhista argentino Joaquim Salvador Lavado, conhecido como Quino. Esse sujeito autor utilizou a imagem de uma criança para denunciar os problemas sociais da época, utilizando o campo midiático para a circulação das tirinhas abordando, por exemplo, a crítica ao lugar que o sujeito mulher ocupa, estereotipada como esposa, mãe, dona de casa, e silenciando outros lugares sociais que poderiam ser ocupados pelo sujeito mulher, dentre eles o de profissional de sucesso. Justificamos a escolha do corpus pelas condições de produção do discurso, as quais propiciam a discussão de produção de subjetividade do sujeito mulher na rede discursiva articulada às relações de poder-saber. Para o processo de análise, a pesquisa seguiu um trajeto temático por meio do qual é investigado a subjetividade do sujeito mulher, destacados como: a mulher e o espaço doméstico e profissional; a mulher e o cenário político nas relações de poder. Observa-se pelas análises que o sujeito mulher no discurso das tirinhas da Mafalda se subjetiva como submissa, obediente e disciplinada, representado pela mãe ao ocupar a posição de esposa, dona de casa e mãe, silenciando outras possibilidades. Também é percebível que o sujeito Mafalda em contrapartida, se subjetiva como militante, resistente, as condições sócio-históricas da época que impõem esse lugar para o sujeito mulher, aparecendo como um sujeito que luta e se insere no espaço da instituição escolar. Nessa perspectiva a subjetividade do sujeito mulher na produção discursiva das tirinhas da Mafalda se constitui pela posição que ocupa no campo discursivo, pois o sujeito está inserido nessa cadeia de deslocamentos e transformações.

 

 

Relações de poder-saber e modos de subjetivação: o sujeito mulher na ordem do discurso jurídico da Lei Maria da Penha

 

Nívea Barros de Moura
Dia 25 de abril de 2017 às 08h30min
Banca:
Prof.ª Dra. Maria Eliza Freitas do Nascimento
Prof. Dr. Antonio Genário Pinheiro dos Santos (UFRN)
Prof. Dr. Ivanaldo Oliveira dos Santos Filho
Prof. Dr. Francisco Vieira da Silva
Resumo:
Esta dissertação objetiva analisar no discurso jurídico da Lei Maria da Penha as relações de poder-saber e a construção dos modos de subjetivação do sujeito mulher, observando a produção dos efeitos de sentido e o resgate da memória discursiva. Como pressupostos teóricos utilizamos as contribuições da Análise do Discurso de linha francesa por meio dos balizamentos de Pêcheux e do suporte teórico-metodológico de Foucault, o arqueogenealógico, que vem suplementar as categorias da perspectiva discursiva e possibilita compreender a historicidade acerca do sujeito mulher na sociedade, promovendo deslocamentos e ressignificação de dizeres. O corpus de análise constitui-se pelo discurso da Lei Maria da Penha, sendo selecionados os enunciados discursivos dos artigos da lei, que comportam mudanças significativas no ordenamento jurídico brasileiro no tratamento dos crimes domésticos e familiares perpetrados contra o sujeito mulher. Também foram selecionadas algumas campanhas midiáticas do governo federal e estadual que dialogam com os enunciados do discurso jurídico, como forma de compreender as estratégias do biopoder que incidem sobre a população. Os resultados da análise apontam que o discurso da Lei Maria da Penha e das campanhas midiáticas institucionais, encontram-se imbricados com questões políticas, configurando-se como estratégias de governamentalidade que visam gerir a vida do sujeito mulher e do agressor por meio das relações de poder-saber que se desdobram pelos efeitos do poder disciplinar e da governamentalidade. Nesse espaço, pode-se observar a reflexão nos modos de subjetivação do sujeito mulher como frágil e submissa. Dessa forma, a proteção estatal ventilada na Lei Maria da Penha é descortinada na medida em que não há como garantir que todas as mulheres sejam protegidas em um país cujas diferenças vão do ponto de vista geográfico ao humano. Assim, o discurso jurídico analisado divorcia direitos de fatos, mediante um conjunto de estratégias de legitimação de vontades de verdade disseminadas por acontecimentos discursivos que circulam e ressignificam as práticas sociais.


Atualizado por: Ricardo Soares Abrantes em 13/07/2017 (Setor para Contato: C.A. P.FERROS - Diretoria do Campus Avançado de Pau dos Ferros )